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Monday, October 12, 2009

Dois ou três títulos e um Rebuliço

Nos últimos tempos temos tido uma forte movimentação nas águas do mercado português de literatura fantástica. E, tendo em conta as fortes reticências com que os leitores e editores recebem e publicam ficção curta, é com agrado que vejo diversas antologias e revistas a serem publicadas num tão curto espaço de tempo.

A Saída de Emergência preencheu, em Julho, um espaço do mercado de Ficção Cientifica em português que há muito urgia ser preenchido, publicando Com a Cabeça na Lua, uma antologia que recolhe diversos contos de autores como Heinlein, C. Clarke e Asimov, que escreveram sobre uma, na altura ainda hipotética, viagem à lua, e que traz ao público português dez exemplos da ficção cientifica "hard" da Golden Age. E agora, volvidos três meses sobre esta publicação, a SdE prepara-se para publicar uma colectânea de contos de Arthur Machen, "um dos homens mais importantes do início do século em escrita fantástica e no terror", intitulada, precisamente, de O Terror.
Também graças à Saída de Emergência, pudemos ler, no fim do semestre passado, na Bang! nº 6, diversos contos e artigos da autoria tanto de autores portugueses como de estrangeiros.
Passados uns meses, já depois da dissolução do fanzine Nova [RIP ='( ], Roberto Mendes e Rita Comércio quebraram o monopólio da Bang!, lançando o primeiro número da revista Dagon. Um formato algo diferente daquele a que temos sido habituados, mais próximo do público na medida em que não se limita aos habituais nomes do chamado fandom (atenção, emprego este termo sem qualquer preconceito), e mais abrangente, não se limitando apenas à literatura fantástica, mas estendendo-se às manifestações do Fantástico na música, no cinema e nas artes plásticas.
Mas também a Gailivro, que está igualmente de parabéns pelo trabalho que tem feito no meio, surpreendeu, publicando ficção curta. E mais, ficção curta portuguesa - As Atribulações de Jacques Bonhomme é o título da colectânea da autoria de Telmo Marçal, na minha opinião um dos nomes mais geniais da ficção cientifica lusa. E aqui gostava de fazer um pequeno aparte.

Enquanto Telmo Marçal é um nome desconhecido para a maioria dos fãs portugueses de fantástico, é, para mim, um dos nomes (a par de Luís Filipe Silva e Jorge Candeias, entre outros) que primeiro me vem à cabeça quando se fala de ficção científica portuguesa. Tomei o primeiro contacto com a sua escrita quando li a fantástica antologia Por Universos Nunca Dantes Navegados, e rendi-me automaticamente. "O Pico de Hubert", para além de ser uma história passada numa distopia caótica, bem imaginada, com um enredo soberbamente orquestrado, é-nos nos dada a ler através da escrita de Telmo Marçal, sem dúvida dotado de uma grande mestria nesta arte.
Mais tarde, dei com alguns contos da sua autoria nos números 2 e 3 do Hyperdrivezine, que podem ser lidos aqui [foi o Ricardo Loureiro (também editor da recém-extinta Nova), um dos melhores editores de revistas que temos por terras lusas, na minha opinião, que o publicou pela primeira vez, ainda no formato website deste Hyperdrivezine], e no nº 5 da Bang!, que apenas fizeram reforçar a minha excelente opinião sobre o autor. Rapidamente se tornou, portanto, um nome a seguir com atenção.
No entanto, nos últimos tempos, nunca mais tinha ouvido falar dele. Foi, então, com alguma surpresa e muito agrado, que me deparei com esta colectânea. Finalmente em papel, depois de passar pelo Hyperdrive, "o Dragão Quântico, o Hyperdrivezine, o sítio Neolivros, a Scarium, o Tecnofantasia, o Phantastes, o Somnium[,] (...) a Nova" e, "até[,] (...) a antologia Por Universos Nunca Dantes Navegados".
Ainda não li As Atribulações de Jasques Bonhomme, mas estou muitíssimo curioso. Valerá a pena a leitura, sem qualquer dúvida.
[Crítica de Rui Baptista ao livro do Telmo Marçal no Bela Lugosi is Dead.]

Mas voltando ao tema inicial do post, não só antologias, colectâneas e revistas têm dado movimento às águas outrora um tanto estagnadas do Fantástico português. Também inúmeros concursos têm surgido, aqui e ali, para escritores de ficção científica a steampunk, de fantasia a horror, sejam eles já consagrados ou estejam ainda a dar os primeiros passos.
Gostaria de começar por fazer referência à Antologia Vaporpunk, para a qual foi feita a última chamada na semana passada, no Efeitos Secundários. Prazo de submissão a acabar já dia 18.
Por outro lado, mas também no seguimento de um texto publicado por Luís Filipe Silva no seu blog, Roberto Mendes lançou no Correio do Fantástico um desafio que, idealmente, culminará numa antologia em que versarão sobre "a conquista do espaço, a colonização de outros planetas, (...) que tipo de humanos farão a conquista (ou se esta falhará) e, principalmente, utilizando como personagens centrais os portugueses desse tempo: serão portugueses conquistadores ou falhados?". Para ler aqui.
Mas também do outro lado do atlântico surgem projectos interessantes. Informa-me o Márcio: Até 15 de janeiro de 2010, a Andross editora estará selecionando contos para a coletânea Tratado Secreto de Magia, a ser lançada em abril de 2010 na Biblioteca de Literatura Fantástica Viriato Correa, em São Paulo. Nosso objetivo é receber contos relacionados não só com a magia, mas também feitiçaria e bruxaria, desde histórias que remetam à realidade histórica, como a Inquisição, até tramas que sejam ligadas à fantasia, no estilo Harry Potter. Este Tratado Secreto de Magia é apenas uma das antologias que a editora Andross está a organizar de momento. Moedas Para o Barqueiro será uma antologia de contos que terão como temática a Morte, e os textos poderão ser submetidos até 30 de Janeiro de 2010. 2054, como o próprio nome faz antever, será constituída por contos de ficção científica, enquanto que Histórias Liliputianas será uma colectânea de 50 microcontos sem nenhum tema padrão - os prazos para submissão são, respectivamente, 30 de Novembro e 15 de Janeiro. E, agora fugindo um bocadinho ao tema do post porque sei que interessará a alguns leitores do blog, a Andross está também a organizar um antologia de poesia intitulada Ecos da Alma. [Para mais informações e contacto dos organizadores, consultar a página de cada antologia.]
Por fim, apenas uma última referência à Antagonista Editora, que está à procura de autores lusófonos, não só de Portugal, do Brasil e de África, mas também de Goa, Macau e mesmo da Galiza.

Friday, February 27, 2009

Poe

Aproveitando o bicentenário do nascimento de Edgar Allan Poe, o Círculo de Leitores lançou uma edição completa dos seus contos.
Nos dois volumes, a 39,96€ cada, estão reunidos os 69 contos da pena do Mestre do Fantástico. Com tradução do inglês por J. Teixeira de Aguilar (responsável também pela tradução de "Histórias Extraordinárias", na publicação da Europa-América), a Círculo de Leitores apresenta-nos uma edição de luxo, com capa dura e ilustrações deliciosas (como as que podem ver nas imagens ;)).
Não conheço bem a sua Obra, mas faço tenções de passar conhecer nos próximos tempos. Já mandei vir! =)


Também por ocasião dos dois séculos desde que o autor veio ao mundo, vai-se realizar na Flul um Colóquio intitulado "Poe e Criatividade Gótica". De entre os oradores convidados encontram-se alguns nomes possivelmente vossos conhecidos, como David Soares, António de Macedo e Luís Filipe Silva, bem como Gonçalo M. Tavares e José Luís Peixoto, ambos a confirmar.
Infelizmente, este colóquio realizar-se-á dias 18, 19 e 20 de Março (quarta a sexta), pelo que não poderei sequer em pensar ir xD


[Sites consultados:
* BiblioWiki
* Poe e a Criatividade Gótica / Poe and Gothic Creativity]

Wednesday, February 25, 2009

Nora Roberts

Apenas li dois livros dela, e não desgostei. Não faz o meu género, é certo, mas tem tido uma grande aceitação no público feminino.
A Saída de Emergência (uma das minhas editoras preferidas) quer espalhar por toda a Internet o catálogo das obras da autora. E porque não ajudar? Afinal, não custa nada ;)
Aqui têm:

(clicar na imagem para ver o catálogo PDF)

Sunday, February 15, 2009

2008 em Leituras [III]

E eis que chega o terceiro e último post referente às minhas leituras de 2008.
Carbono Alterado e A Oeste do Éden foram dois livros excelentes que li no ano passado. No entanto, existem mais uns quantos, tão bons quanto estes, que merecem referência.

Refiro-me, por exemplo, às Crónicas do Gelo e do Fogo, de George R. R. Martin. Li os 6 livros deste autor publicados em português pela Saída de Emergência e, digo-o sem pensar duas vezes, é a melhor fantasia medieval que li desde O Senhor dos Anéis. Enquanto que Robert Jordan, com a saga A Roda do Tempo (Bertrand), traz mais do mesmo à fantasia, Martin revoluciona completamente o género.
Em O Olho do Mundo, que também li este ano, Jordan conta-nos uma história em que, apesar de os paralelismos não serem tão claros quanto isso, tudo nos sabe a mais do mesmo. Ainda que o faça com uma escrita soberba, e consiga cativar, não traz nada de novo ao género, ao contrário de Martin. Em A Song of Ice and Fire (fica muito mais bonito em inglês :P), somos arrebatados para um completamente novo modo de contar histórias.


Martin apresenta-nos um mundo coeso, complexo mas cheio de sentido. E, fugindo ao sentido do Bem e do Mal, apresenta-nos todos os pontos de vista possíveis e imaginários. Enquanto que em quase todas as obras de fantasia temos uma jornada do Bem contra o Mal, nesta saga temos "apenas" uma miríade de personagens, humanas, cheias de defeitos e qualidades como todos nós. Personagens que lutam pelas suas causas, que nos podem parecer mas mais ou menos justas, mas todas elas correctas, do ponto de vista de cada um.
Faz-nos pensar na subjectividade da Razão, da justiça, e tudo mais. E de como tudo é facilmente manipulável, ainda mais no nosso mundo, com os mass media (hei-de escrever um post sobre isto dentro de algumas semanas).

Mas como a vida não é só fantasia, gostaria de referir também o Planisfério Pessoal, do português Gonçalo Cadilhe, um livro que me emprestou um grande amigo meu de quem, parece-me, me estou a afastar.
Mas continuando... Gostei imenso deste livro porque, através de uma volta ao mundo por terra e por mar, este viajante português dá-nos a conhecer imensas culturas, em toda a sua simplicidade e esplendor. De civilizações extremamente pobres no Oriente e na América Latina aos países ricos do ocidente, Gonçalo Cadilhe leva-nos a conhecer os problemas sociais de cada povo, mas também as suas felizes forma de vida.
Em pequenas crónicas escritas num português fluido, o autor faz-nos viajar por (quase) todo o mundo.
Aconselho. ;) Apenas tive pena que ele não tenha visitado África. :/

E pronto, acho que foi tudo. Já tenho dois livros deste ano de que vos quero falar. A seu tempo :P


Até à próxima ;)

Saturday, January 31, 2009

Leituras A Oeste do Éden

Outro dos livros que me marcou neste último ano foi o A Oeste do Éden, de Harry Harrison.
Enquanto temos livros, sem qualquer dúvida, de ficção científica (como o Carbono Alterado) ou de fantasia (como O Senhor dos Anéis), este A Oeste do Éden está a leste de qualquer género. História alternativa, segundo a Wikipédia, is a subgenre of speculative fiction (or science fiction) and historical fiction that is set in a world in which history has diverged from the actual history of the world. Alternate history literature asks the question, "What if history had developed differently?". Talvez este sub-género da ficção especulativa se adequasse a este livro, não se desse o caso de a divergência ter começado há 65 milhões de anos.

Mas continuando...
Nesta Terra alternativa os dinossauros nunca se extinguiram. O famoso meteorito nunca chegou a chocar contra a Terra, há cerca de 65 milhões de anos.
Assim, em África e em todo (?) o continente Euroasiático, os dinossauros evoluíram para as yilané, répteis bípedes com polegares oponíveis que desenvolveram uma sociedade (língua, ciência, ...) que ultrapassa em muito a nossa, em quase todos os aspectos. Assim, temos uma raça extremamente inteligente a dominar quase todo o Mundo Conhecido.
No entanto, do outro lado do Oceano Atlântico, os macacos também evoluíram e deram origem a seres humanos, tais como os que habitavam a nossa Terra há uns poucos milhares de anos. Tribos de caçadores-recolectores pululam na costa este da América do Norte.

A história gira à volta de Kerrick, o filho de um sammadar. Amahast, como chefe da sua tribo de caçadores (os chamados sammad), vê-se obrigado a juntar um grupo de veteranos e partir para sul, para não entregar a sua tribo à morte certa, naqueles cada vez mais implacáveis Invernos. Com o seu filho e mais dois caçadores, abandona a terra firme e navega até ilhas meridionais, onde espera encontrar caça com que alimentar o seu sammad.
É numa dessas ilhas que Amahast e Kerrick encontram uma nova espécie de murgu, seres de pele escamosa e de sangue frio, que se deslocam em duas patas. Movidos pelo ódio por todos os seres de sangue frio, matam aqueles machos imediatamente, enquanto estes, letárgicos, nada fazem.
Não tardarão a descobrir que matá-los foi a pior coisa que alguma vez podiam ter feito.

As yilané que estão a fugir dos Invernos cada vez mais rigorosos nas costas mediterrânicas não perdem tempo e juram vingança. Quando percebem que os execráveis ustuzou, animais de sangue quente, conspurcaram as Praias dos Nascimentos da sua nova colónia matando os machos, decidem fazer tudo para riscar a raça humana da História do Mundo.
Mas os Homens não vão desistir facilmente... Durante o livro, Kerrick, levar-nos-á ao seio da nova cidade-viva (um conceito extremamente interessante que terão oportunidade de explorar ao longo do livro, se o lerem xD) das yilané, à Europa, e ao outro lado de uma grande cordilheira gelada.

As personagens estão muito bem construídas, na minha opinião, tanto do lado dos humanos como das yilané. Achei a escrita agradável e a história extremamente cativante (com todos os conceitos inerentes às yilané - a língua, as cidades-vivas, a ciência, ...). A edição portuguesa data de 1986 mas, tendo a Gradiva reeditado o livro há coisa de dois anos, é uma boa oportunidade para se adquirir esta originalíssima obra.

;)




Podem ler o prólogo e os dois primeiros capítulos do livro, em inglês, aqui.

E obrigado ao Jorge, que nos mantém o muitíssimo útil Bibliowiki actualizado (dentro do possível :)) e sempre à mão.

Tuesday, January 13, 2009

2008 em Leituras

Em seis meses lê-se muita coisa.
E se estes seis meses foram muito pobres na minha vida cibernética, foram imensamente ricos em leituras. E leituras que merecem mesmo ser referidas.


Acho que um dos melhores livros que li este ano foi mesmo o Carbono Alterado, do britânico Richard Morgan.
Neste romance, passado na Terra a cinco séculos de distância do nosso presente, Morgan apresenta-nos um incomum protagonista - Takeshi Kovacs. Um homem do Mundo de Harlan que é contratado por um matusa para resolver o mistério que se esconde por detrás do seu próprio suicídio. O seu próprio suicidio. Estranho, não?
Não, quando na Terra do século XXV a Morte é praticamente impossível. Uma Terra onde a identidade (personalidade, memórias, ...) de cada um é guardada numa pilha cortical, situada na base da nuca, que pode ser retirada do nosso corpo e colocada noutro sem o mínimo problema. E onde a informação guardada nessa pilha pode ser descarregada a qualquer momento (se se tiver dinheiro, claro - isso não mudou, lá xD).
Então, porque se iria Laurens Bancroft, um multimilionário com já quatrocentos anos de idade, suicidar? Porque iria ele vaporizar a sua própria cabeça (e pilha cortical), sabendo que é feito um backup da sua identidade todos os dias e que seria, automaticamente, "inserido" numa nova manga (corpos sintéticos fabricados para albergar as... hm... pessoas que ficam sem corpo ou querem um mais jovem)?
É para desvendar o mistério que se esconde por detrás deste alegado suicídio - afinal, quem conseguiria contornar toda a segurança da mansão de um dos homens mais poderosos da Terra?; e quem iria arriscar a sua pele para "liquidar" um matusa imortal? - que Takeshi Kovacs é contratado.
Por entre uma overdose de mortes a sangue frio, raciocínios intrincados e sexo explicito, há tempo para nos afeiçoarmos ao protagonista, apesar de tudo, muito humano.

Os capitulos pequenos e a fluidez da escrita contribuem para um ritmo de leitura muito elevado (tendo em conta a densidade e complexidade da história). De qualquer forma, é preciso parar um pouco de vez em quando, para assimilar as informações e para não se perder o fio à meada.

E, para quem pensa que a ficção ciêntifica são apenas naves a batalhar no espaço ou ambientes de tecnologia tão avançada que torna tudo possível, uma literatura onde não há espaço para questões filosóficas ou devaneios sobre a essência do Ser Humano, leiam este livro. Um policial de ritmo alucinante, passado no futuro, mas onde há espaço para os pensamentos mais profundos e filosóficos (como o que podem ver aqui). Um livro que dá que pensar, que nos faz imaginar o que aconteceria se as pessoas deixassem de morrer.


[Estava a demorar imenso a escrever o post, por isso decidi-me a postá-lo por partes. Fica aqui o melhor das minhas leituras de 2008.]

Sunday, July 27, 2008

[Esp. Tuga] «O Sétimo Selo» na Tailândia

Como já tinha referido aqui anteriormente, um colega meu propôs-me a criação de um blog generalista, o Espaço Tuga, em que eu estaria encarregue da parte cultural. Eu aceitei participar, e dentro dos 7 posts do blog, 4 foram sobre futebol, 2 sobre música (um deles da minha autoria) e 1 sobre livros (escusado será dizer que fui eu que o escrevi). Parece que para a juventude portuguesa uma coisa generalista é algo sobre futebol - como o Euro acabou, o blog está parado há um mês. Morreu, ponto.
O meu objectivo não é encher o meu perfil de blogger com blogs que morrem ao fim dos primeiros posts, ainda mais sobre futebol, por isso desassociei-me dele.
Deixo-vos aqui o único post que acho que vale a pena ficar para a posteridade:

22/07/2008

"O Sétimo Selo", o último livro da autoria de um dos mais conhecidos e aclamados jornalistas, repórteres e romancistas portugueses, José Rodrigues dos Santos, vai ser traduzido para tailandês. Segundo o Público, a tradução vai ser editada pela Nan Mee Books, ainda não havendo data de edição.
«"O sétimo selo", que vendeu em Portugal cerca de 140 mil exemplares, já garantiu edições na Alemanha, Grécia, Roménia, Brasil e mais recentemente Itália. »

Para provar que não somos bons apenas em futebol...



Acho que é uma boa deixa para dar a minha opinião sobre o livro, num dos próximos posts.

Tuesday, July 22, 2008

E a Lâmpada acende-se

Tenho deixado tanta coisa por dizer, mas não posso deixar de fazer uma breve menção a um pequeno artigo publicado no Nova Fantasia.
Parece que o guião da série Filhos da Lâmpada, do P. B. Kerr, está a ser escrito. :) Esta é uma série que, apesar de não ser soberba, me marcou a minha fase mais infanto-juvenil de leituras e é sem dúvida uma excelente notícia que possa ser adaptada para o Grande Ecrã (ainda que nem sequer tenham escolhido o realizador).

Estou a torcer para que o projecto vá para a frente =D

Sunday, June 1, 2008

Yeshi or!

«Deus disse: "Faça-se luz!" E a luz foi feita.» Trocado por miúdos, nasceu o Universo - deu-se o Big Bang.
E por falar em Bang!, acaba de sair o número 4 da "Única Revista Portuguesa de [Literatura de] Aventura e Fantástico" (segundo eles, mas há mais, principalmente e-zines), editada em forma digital pela Saída de Emergência (uma das minhas editoras preferidas do momento).
Apesar de um mês e tal atrasada, chegou. E de que forma! Depois de 64 páginas nos primeiros três números (0, 1 e 2) e 88 no nº 3 (e primeiro em formato digital), neste último número somos presenteados com 104 páginas de puro fantástico :-)


Desta vez, lado a lado com excelentes escritores portugueses (Inês Botelho, entre outros) e brasileiros (Wolmyr Alcantara), aparecem os mestres Lovecraft, com o conto Ele, e Allan Poe, com Os Óculos. Miguel Garcia (que mantém o Chicago 1900) e Nuno Travesso estreiam-se por estas bandas e, com A Encomenda, Inês Botelho dá os primeiros passos na ficção curta, depois de ter escrito a trilogia O Ceptro de Aerzis e o Prelúdio.

José Manuel Lopes (autor de Fragmentos de Uma Conspiração) participa neste número com um' A Pintura Junto ao Mar e João Barreiros marca também presença na revista continuando o que começou em FANTASCOM (onde ele "satirizou" Filipe Faria [para não dizer "gozou" lol]), um conto de que não gostei especialmente mas que vou fazer um esforço para ler até ao fim, para poder dar uma opinião fundamentada.

A acompanhá-los temos Oberon, escrito pelo brasileiro Wolmyr Alcantara, do qual falarei mais à frente.


No lado da não ficção temos 3 artigos de 3 nomes incontornáveis do fantástico português: David Soares, Luís Filipe Silva e António de Macedo.

David Soares (autor d' A Conspiração dos Antepassados, entre outros - mantém O Sonho de Newton) classifica Grendel com 5 Estrelas. Este romance, em que John Gardner conta o épico de Beowulf do ponto de vista do anti-herói, chama por mim desde que saiu e este artigo só me fez ficar mais curioso. E fulo por não poder esbanjar todo o dinheiro do mundo em livros xD (De referir a mestria com que David Soares escreveu o pequeno artigo, conseguindo em pouco mais de uma página cativar, atrevo-me a dizer, qualquer leitor.)

António de Macedo (autor dos Contos do Androthélys e d' A Conspiração dos Abandonados, entre [muitos] outros), por sua vez, presenteia-nos com um artigo sobre Cidades Míticas, em que nos leva a caminhar pelos Jardins Suspensos da Babilónia, a sonhar com Zion (do Matrix) e a deambular pela maravilhosa Kadath, directamente saída do imaginário de Lovecraft. Há ainda espaço para a referência a Pasárgada, a Amaurotum (a capital da Nova Insula Utopia) e a Shangri-La (entre outras cidades míticas), assim como para uma abordagem sobre a misteriosa espiral logarítmica, a sua relação com a proporção divina e as suas manifestações na natureza.
Tudo isto numa escrita absolutamente deliciosa, coerente e fluída.

Por fim, podemos ler um artigo sobre a antologia Por Universos Nunca Dantes Navegados, da pena de Luís Filipe Silva (autor da GalxMente, de milhentas ficções curtas e do blog Efeitos Secundários).
Os textos sobre a quase nula produção de ficção ciêntifica e a difícil subsistência do género em Portugal, escritos num tom quase "penoso", apesar de os autores não serem em grande número, abundam. O início deste Antologias, Fantasias & Odisseias faz-nos adivinhar um artigo no mesmo registo mas o Luís rapidamente muda de assunto. Começa a falar, então, sobre uma antologia. Mas esta não é uma antologia qualquer - é a Antologia da Nova Literatura Fantástica em Língua Portuguesa, uma antologia que coloca lado a lado autores que escrevem desde ficção ciêntifica e surrealismo a realismo mágico e história alternativa, portugueses e brasileiros (e colocaria autores das comunidades lusófonas africanas e asiáticas se houvesse material de qualidade, certamente), sem fazer quaisquer distinções. Logo a seguir, o Luís Filipe Silva, que organizou a antologia com o Jorge Candeias, transporta-nos repentinamente para uma "realidade alternativa", falando-nos das "dores de parto" que teria sofrido se tudo isto tivesse acontecido há uma década.
Felizmente não aconteceu como o LFS relata - não houve necessidade de infindáveis horas ao telefone nem de dezenas de cartas trocadas para fazer o livro, tendo tudo sido tratado através da internet. No entanto, e apesar de todas as inovações trazidas pelo aparecimento da net, as mentalidades mantiveram-se (quase) inalteradas, ou seja, a receptividade das(os) editoras(es) em relação a projectos inovadores como este continua (quase) nula. E o que é que isto significa? Publicação de autor. É verdade, o LFS, para não deixar a meio este projecto, teve de recorrer a uma print-on-demand, que significou de antemão uma fraca visibilidade no mercado. O lançamento da obra foi bem conseguido, integrado na edição de 2007 do mais importante evento do fantástico em Portugal, o ForumFantástico, apesar de, de entre todas as possibilidades, ter ficado com o pior dia e hora (19h30 da 5ªfeira de abertura). Quanto a livrarias onde comprar já nem se fala - parece que o LFS conseguiu que o livro fosse colocado à venda numa livraria lisboeta mas, para além disso, nada - só encomendando pela lulu.com.
Mas nem tudo é mau - este conjunto de 14 contos vai estar à venda na banca da Saída de Emergência na Feira do Livro de Lisboa até dia 15 de Junho. Ou seja, são 11 contos (e noveletas) excelentes por menos de 17€ (é provável que o preço ronde os 13,5€, caso tenha os habituais 20% de desconto) - 11, pois 3 dos 14 não são nada de especial (e um deles é péssimo, na minha opinião).
E agora voltando à revista (já vos devo ter dado seca suficiente lol), é a altura ideal para falar de Oberon, o conto de Wolmyr Alcantara presente na Bang! em representação da antologia. Não creio que seja dos melhores - na verdade, de entre os 11 contos bons, não o colocaria nos primeiros 6 - mas é agradável de ler, mesmo para aqueles a que o brasileiro escrito pode fazer um pouco de confusão (como eu), e a história é boa. (E é uma escolha que sempre dá um ar mais internacional à Bang!.) Se não ficaram suficientemente convencidos com este meu paleio todo dêem-me o beneficio da dúvida e dêem uma olhadela ao conto. É fácil, é grátis e... é bom. Depois considerem que há vários contos melhores (na minha opinião) e pensem em comprar o livro =P Iniciativas destas precisam de vingar no panorama português, para ver se se começa a criar uma estrutura forte e estável no mercado editorial para os livros do género.

Podem fazer download e ler a revista aqui.


E fico-me por aqui, com a promessa de vos chatear mais um bocado quando ler todos os contos publicados na revista. lol

Friday, May 16, 2008

Oportunismos


É verdade, esta nova secção nas estantes está a crescer. E de que maneira.


Daqui a nada compramos a Sábado para lermos literatura a sério e vamos às livrarias para comprar textos de jornalistas.

Engraçado...

Friday, March 28, 2008

Ciclo CW - Susanna Clarke

Bem, mais do ciclo CW. Entretanto tenho de ir fazer um trabalho sobre a Primeira Guerra Mundial (não tem nada a ver, mas pronto XD).


14/03/2008
Depois de ter ficado completamente fã da Susanna Clarke com a leitura de Jonathan Strange e o Sr. Norrel, fiquei radiante quando ainda há pouco recebi a noticia de que vai ser lançado o novo livro dela (novo, salvo seja, acho que já tem uns bons 2 anitos), As Senhoras de Grace Adieu. Ainda não há informações, para além de que também v ser publicado pela Casa das Letras e desta frase:
As Senhoras de Grace Adieu convidam-no a regressar ao mundo dos duendes e das fadas para reencontrar velhos conhecidos e fazer amizades...

Quando souber mais noticias faço nova Entry. Entretanto, fica aqui esta excelente noticia.



E outra:

21/03/2008


E o livro nunca mais chega.... Mas, enquanto isso, encontrei mais informação :D :D

Ao que consta é uma colectânea de contos da autora, menos... erm... "maçuda" (eu não achei o Jonathan Strange & o Sr. Norell maçudo, mas não encontro um termo melhor e assim compreende-se). Quem já leu (em inglês) diz que está muito bom (mesmo quem não gostou do outro). Só espero que o ser menos "maçudo" não retire a densidade a que me habituei com o JS&Sr.N (e que tenha notas de rodapé :P).




E pronto, basicamente é isto, nada de especial. Para um eventual leitor que não me conhecesse estava aqui mais uma informação: gosto de ler.