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Sunday, October 18, 2009

Ainda o Rebuliço

Parece que a agitação que se tem verificado nas águas do Fantástico não é tão passageira como se poderia à primeira vista temer.

Este último semestre de 2009 tem já uma agenda fantástica muito preenchida, com O Fantástico em debate já no próximo dia 27 de Outubro, no auditório Maestro Frederico de Freitas em Lisboa.

Mas ainda antes disso, vai-se realizar a primeira de uma série de Tertúlias organizadas pela Simetria - Associação Portuguesa de Ficção Científica e Fantástico, no IST-Taguspark, na sala 0.32. Realiza-se já nesta segunda-feira às 19h00 e tem como título "Os Direitos das Inteligências Artificiais". Para além desta, realizar-se-ão ainda este ano outras duas, no mesmo sítio e à mesma hora, nos dias 16 de Novembro e 14 de Dezembro.
Ainda fruto do acordo celebrado entre a Simetria e o Instituto Superior Técnico, vai-se realizar uma feira de livros usados de FC&F, no campus do IST-Taguspark de 14 a 16 de Dezembro de 2009. [Segundo o blog oficial da Simetria, "A Feira do Livro ainda carece de uma autorização final para a sua realização", que esperam obter brevemente.]

E por esta altura deveria estar para acontecer o já clássico Fórum Fantástico, mas foi anunciado o interregno deste evento que, por razões já explicadas aqui, voltará apenas em 2010. Mas o Rogério Ribeiro, um dos nomes a quem mais o Fantástico luso como o conhecemos hoje deve, já meteu mãos às obras e garante-nos que não nos vai deixar desocupados - nos sábados 21 e 28 o Conversas Imaginárias, um conjunto de apresentações e debates, tomará lugar na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro. O Rogério promete-nos um evento inteiramente virado para participantes nacionais, com um dos sábados dedicado ao cinema e à concept art, e o outro à literatura e banda desenhada.


Mas como sem produção não há mercado, passemos então a novos desafios e concursos, que também surgiram nesta última semana.

Pela Saída de Emergência, foram finalmente abertas as submissões ao Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead para Doenças Excêntricas e Desacreditadas. Há muito que este tinha sido anunciado no site, mas apenas agora foi divulgado o regulamento do desafio. A editora, aproveitando a tradução para português da obra The Thackery T. Lambshead Pocket Guide to Eccentric & Discredited Diseases, onde podemos encontrar contribuições de autores como Neil Gaiman e Michael Moorcock, China Miéville e Alan Moore, lançou "o apelo a todos os médicos literatos de língua portuguesa para que submetam os casos mais excêntricos com que tenham tido que lidar na sua prática do dia-a-dia, por muito desacreditados que a medicina tradicional os tenha decretado", que figurarão no Almanaque junto de tão prestigiados autores. As submissões devem pautar-se, como é óbvio, "para além da maior competência clínica", por uma "irrepreensível utilização da língua portuguesa ao serviço de uma imaginação transbordante, original e satírica".

Não menos importante, ainda que acessível apenas a alunos, docentes e funcionários não docentes do Instituto Superior Técnico, é o Concurso Mini-Contos IST lançado pela Simetria, aberto a submissões com não mais de 150 palavras até dia 30 de Novembro.


Para terminar, referir a Colecção Мир, que será lançada pela Antagonista Editora já no primeiro trimestre de 2010.
Ficaremos todos de olho nesta nova colecção de Ficção Científica e Terror Fantástico.

;)

Monday, October 12, 2009

Dois ou três títulos e um Rebuliço

Nos últimos tempos temos tido uma forte movimentação nas águas do mercado português de literatura fantástica. E, tendo em conta as fortes reticências com que os leitores e editores recebem e publicam ficção curta, é com agrado que vejo diversas antologias e revistas a serem publicadas num tão curto espaço de tempo.

A Saída de Emergência preencheu, em Julho, um espaço do mercado de Ficção Cientifica em português que há muito urgia ser preenchido, publicando Com a Cabeça na Lua, uma antologia que recolhe diversos contos de autores como Heinlein, C. Clarke e Asimov, que escreveram sobre uma, na altura ainda hipotética, viagem à lua, e que traz ao público português dez exemplos da ficção cientifica "hard" da Golden Age. E agora, volvidos três meses sobre esta publicação, a SdE prepara-se para publicar uma colectânea de contos de Arthur Machen, "um dos homens mais importantes do início do século em escrita fantástica e no terror", intitulada, precisamente, de O Terror.
Também graças à Saída de Emergência, pudemos ler, no fim do semestre passado, na Bang! nº 6, diversos contos e artigos da autoria tanto de autores portugueses como de estrangeiros.
Passados uns meses, já depois da dissolução do fanzine Nova [RIP ='( ], Roberto Mendes e Rita Comércio quebraram o monopólio da Bang!, lançando o primeiro número da revista Dagon. Um formato algo diferente daquele a que temos sido habituados, mais próximo do público na medida em que não se limita aos habituais nomes do chamado fandom (atenção, emprego este termo sem qualquer preconceito), e mais abrangente, não se limitando apenas à literatura fantástica, mas estendendo-se às manifestações do Fantástico na música, no cinema e nas artes plásticas.
Mas também a Gailivro, que está igualmente de parabéns pelo trabalho que tem feito no meio, surpreendeu, publicando ficção curta. E mais, ficção curta portuguesa - As Atribulações de Jacques Bonhomme é o título da colectânea da autoria de Telmo Marçal, na minha opinião um dos nomes mais geniais da ficção cientifica lusa. E aqui gostava de fazer um pequeno aparte.

Enquanto Telmo Marçal é um nome desconhecido para a maioria dos fãs portugueses de fantástico, é, para mim, um dos nomes (a par de Luís Filipe Silva e Jorge Candeias, entre outros) que primeiro me vem à cabeça quando se fala de ficção científica portuguesa. Tomei o primeiro contacto com a sua escrita quando li a fantástica antologia Por Universos Nunca Dantes Navegados, e rendi-me automaticamente. "O Pico de Hubert", para além de ser uma história passada numa distopia caótica, bem imaginada, com um enredo soberbamente orquestrado, é-nos nos dada a ler através da escrita de Telmo Marçal, sem dúvida dotado de uma grande mestria nesta arte.
Mais tarde, dei com alguns contos da sua autoria nos números 2 e 3 do Hyperdrivezine, que podem ser lidos aqui [foi o Ricardo Loureiro (também editor da recém-extinta Nova), um dos melhores editores de revistas que temos por terras lusas, na minha opinião, que o publicou pela primeira vez, ainda no formato website deste Hyperdrivezine], e no nº 5 da Bang!, que apenas fizeram reforçar a minha excelente opinião sobre o autor. Rapidamente se tornou, portanto, um nome a seguir com atenção.
No entanto, nos últimos tempos, nunca mais tinha ouvido falar dele. Foi, então, com alguma surpresa e muito agrado, que me deparei com esta colectânea. Finalmente em papel, depois de passar pelo Hyperdrive, "o Dragão Quântico, o Hyperdrivezine, o sítio Neolivros, a Scarium, o Tecnofantasia, o Phantastes, o Somnium[,] (...) a Nova" e, "até[,] (...) a antologia Por Universos Nunca Dantes Navegados".
Ainda não li As Atribulações de Jasques Bonhomme, mas estou muitíssimo curioso. Valerá a pena a leitura, sem qualquer dúvida.
[Crítica de Rui Baptista ao livro do Telmo Marçal no Bela Lugosi is Dead.]

Mas voltando ao tema inicial do post, não só antologias, colectâneas e revistas têm dado movimento às águas outrora um tanto estagnadas do Fantástico português. Também inúmeros concursos têm surgido, aqui e ali, para escritores de ficção científica a steampunk, de fantasia a horror, sejam eles já consagrados ou estejam ainda a dar os primeiros passos.
Gostaria de começar por fazer referência à Antologia Vaporpunk, para a qual foi feita a última chamada na semana passada, no Efeitos Secundários. Prazo de submissão a acabar já dia 18.
Por outro lado, mas também no seguimento de um texto publicado por Luís Filipe Silva no seu blog, Roberto Mendes lançou no Correio do Fantástico um desafio que, idealmente, culminará numa antologia em que versarão sobre "a conquista do espaço, a colonização de outros planetas, (...) que tipo de humanos farão a conquista (ou se esta falhará) e, principalmente, utilizando como personagens centrais os portugueses desse tempo: serão portugueses conquistadores ou falhados?". Para ler aqui.
Mas também do outro lado do atlântico surgem projectos interessantes. Informa-me o Márcio: Até 15 de janeiro de 2010, a Andross editora estará selecionando contos para a coletânea Tratado Secreto de Magia, a ser lançada em abril de 2010 na Biblioteca de Literatura Fantástica Viriato Correa, em São Paulo. Nosso objetivo é receber contos relacionados não só com a magia, mas também feitiçaria e bruxaria, desde histórias que remetam à realidade histórica, como a Inquisição, até tramas que sejam ligadas à fantasia, no estilo Harry Potter. Este Tratado Secreto de Magia é apenas uma das antologias que a editora Andross está a organizar de momento. Moedas Para o Barqueiro será uma antologia de contos que terão como temática a Morte, e os textos poderão ser submetidos até 30 de Janeiro de 2010. 2054, como o próprio nome faz antever, será constituída por contos de ficção científica, enquanto que Histórias Liliputianas será uma colectânea de 50 microcontos sem nenhum tema padrão - os prazos para submissão são, respectivamente, 30 de Novembro e 15 de Janeiro. E, agora fugindo um bocadinho ao tema do post porque sei que interessará a alguns leitores do blog, a Andross está também a organizar um antologia de poesia intitulada Ecos da Alma. [Para mais informações e contacto dos organizadores, consultar a página de cada antologia.]
Por fim, apenas uma última referência à Antagonista Editora, que está à procura de autores lusófonos, não só de Portugal, do Brasil e de África, mas também de Goa, Macau e mesmo da Galiza.

Friday, April 24, 2009

Entre o Sonho e a Realidade

Os últimos dias têm sido realmente aprazíveis. Acho que, finalmente, consegui conciliar o bem-estar interior a um bem-estar quase que... profissional.
Nas últimas semanas tem nascido em mim uma paixão pela fotografia, e tenho desenvolvido alguns projectos que me estão a dar imenso gozo. O primeiro fruto, ainda que imperfeito, pode já ser visto aqui. :)


E hoje recebi um e-mail do Jornal Lisboa, agradecendo-me pelo "pelo serviço cultural que tem prestado à poesia e à literatura". *.* Dizem-me ainda que estão a organizar uma antologia chamada Entre o Sono e o Sonho, para a qual estão à "procura de novos autores para entrarem neste livro".
Como sei que muitos dos leitores do meu blog escrevem poesia (e poesia bem boa :P), fica aqui o convite a consultarem o Regulamento e a se Inscreverem.

Pode parecer um "abuso" a obrigatoriedade de compra de 5 exemplares por cada poema, mas tendo em conta que a Chiado não é uma editora com grande circulação, não me parece mal. Até porque, ao comprarem esses 5 exemplares, têm 20% de desconto, e não é improvável que os comprassem, depois disso, para oferecer a familiares ou amigos...
De qualquer forma, se tiverem alguma dúvida em relação à fiabilidade da Editora, tentem contactar a autora Carla Ribeiro (que tem imensos livros editados lá) no seu blog pessoal.


;)

Tuesday, February 24, 2009

Óscares

Ontem foi um daqueles raros dias em que tive pena de não ter televisão.
Em 99% do tempo, a televisão serve apenas para nos roubar tempo útil e para nos tornar mais facilmente manipuláveis. E é por isso que, cá em casa, o televisor serve apenas para ver filmes - nem sequer os 4 canais temos. O que não impede que tenhamos uma vida normal, ao contrário do que a maior parte das pessoas pensa, quando descobre isto xD
De facto, a maior parte das coisas verdadeiramente importantes podem-se ver na net, em directo ou posteriormente (no youtube ou assim).

Ontem eu queria mesmo ver os Óscares. Um evento cultural extremamente importante que é transmitido em território nacional pela TVI que, curiosamente, não tem emissão em directo na Internet -.-' Mas pronto, sempre há os canais internacionais. Aselhice minha ou não, o único site onde consegui encontrar a emissão em directo da cerimónia dos Óscares foi o da CNN, que na altura devia estar sobrecarregado porque não conseguia ver mais de 10 segundos sem ter de fazer refresh.
Não é a mesma coisa, mas tive de optar por um Live text (actualizado quase de minuto a minuto) feito por um jornalista da BBC.
Fiquei com pena de não ter visto a cerimónia. Pelo que li, foi algo fantástico e muito original.


Estava era à espera de mais para O Estranho Caso de Benjamin Button. Quer dizer, 3 óscares já não é nada mau, mas tinha 13 nomeações... No entanto, do pouco que vi e conheço do filme, os óscares para Melhor Caracterização, Melhores Efeitos Especiais e Melhor Direcção Artística foram merecidos. Bem merecidos.
Não é pêra doce fazer um filme com tal premissa. E a forma como fizeram a evolução da personagem de Benjamin (desde uma criança velha, estranha, até um Brad Pitt jovem, na flor da idade, mas... de idade avançada [xD], passando por um Brad Pitt velho de corpo mas jovem de espírito) foi algo fantástico.
Estava à espera de mais, sim, mas não acho que tenha sido injusto. Já há algum tempo que estou em pulgas para ir ver o Benjamin Button, mas depois de ler (-.-') a Cerimónia, o Slumdog Millionaire passou a ser o primeiro filme a ver assim que puder. Arrecadando 8 estatuetas (Melhor Filme, Melhor Director, Melhor Argumento Adaptado, Melhor Fotografia, Melhor Banda-Sonora Original, Melhor Edição, Melhor Canção Original e Melhores Efeitos Sonoros), ficou a lado de Até à Eternidade, Há Lodo no Cais (não conhecia estes dois...), E Tudo o Vento Levou, My Fair Lady, Gandhi, Amadeus e Cabaret. E atrás apenas de Titanic, Ben-Hur, O Senhor dos Anéis - O Regresso do Rei (com 11), Amor Sem Barreiras (com 10, outro que desconhecia), Gigi, O Paciente Inglês e O Último Imperador (com 9).
Muito bom, presumo.

Merecedíssimo é o Óscar póstumo de Melhor Actor Secundário que foi para o Heath Ledger. The Dark Knight foi, para mim, um dos melhores filmes de 2008. Graças, em grande parte, ao desempenho do Ledger no papel de Joker. Um desempenho genial.
Pode-se dizer que acabou em grande.

Um pouco despropositada, na minha opinião, foi a nomeação de Viola Davis para Melhor Actriz Secundária, pelo seu desempenho em A Dúvida. Fui ver este filme há uma semana e meia e tem um argumento excelente e uns actores 5 estrelas, mas a Viola Davis aparece no filme durante 10 minutos, se tanto. E não faz nada assim tão de especial.
Quer dizer, na minha opinião, o filme não é, em si, nada de especial. A nomeação da Meryl Streep e do Philip Seymour Hoffman para, respectivamente, Melhor Actriz e Melhor Actor Secundário, até têm lógica, mas... a Viola? Na.

Do resto dos nomeados, acho que só vi o Wanted, nomeado para Melhor Som e Melhores Efeitos Sonoros (qual é que é mesmo a diferença? xD). Acredito que tenha um bom som (não me lembro xD), mas não acho que seja motivo para Óscar. E os senhores da Academia concordam comigo xD


Acho que me alonguei demasiado... x]



PS: Em relação aos Filmes Estrangeiros, estou curioso em relação ao Valsa com Bashir desde que li este post. A ver se compro o DVD, quando sair.

Monday, June 2, 2008

Prémio resulta da parceria dos BookTailors e da LER

Uma parceria da Revista LER e dos BookTailors resultou num Prémio prometedor que se subdivide em vários "pequenos prémios". De entre as 24 categorias dos Prémios de Edição há espaço para tudo: desde capas a traduções, passando por revisões e editoras revelação.
[Regulamento]


(vídeo retirado daqui)

Saturday, April 26, 2008

Uma Semana Sem Posts, Mas Cheia de... Coisas!

Então passo a explicar o porquê da minha inactividade durante esta semana:
Vontade não me faltou, mas eu andava muito lento com o Nas Sombras de Coimbra (sempre que vinha ao PC perdia-me nos blogs e foruns, e acabava por não escrever nada lol [<- yay! isto é para rir!]) que, para o ter pronto um bom bocado antes do prazo, tive de me privar da net enquanto não o acabasse. Efectivamente, ainda não o acabei, mas já não aguentava mais - desde segunda-feira só vim à net uma vez por causa de um trabalho de História e meia-dúzia de vezes por causa do texto. Depois de ter passado o dia de ontem e o de hoje a escrever (2000 palavras ontem e 2500 hoje + revisões :D), já não podia ver páginas cheias de palavras escritas por mim à frente. Tinha de vir alimentar o meu vício. E por isso, aqui estou eu. O texto já está quase no final, mas não deu mesmo para o acabar hoje, por isso fica para amanhã. Para além de que se está a afastar demasiado da história recheada de acção que tinha idealizado para enviar para o concurso. Penso que, sendo apenas um quinto da história acção pura, fiquei ainda com menos hipóteses.



E como acho que não consigo fazer uma blogação sem falar em coisas sérias, deixo-vos aqui um link de um texto pequenino, mas bom de ler. Não, Não é Normal



Ah!, e quanto ao já falado Life Must Go On In Gaza and Sderot, há um post novo. Comentei-o (saí-me bem com o inglês, até :-D [tive uma pequena ajuda da minha mãe XD]) e li os comments. De alguns gostei, de outros nem tanto.

Pela "negativa" (da minha perspectiva), gostava de citar o escrito por "Bernhard":

i live in Ashkelon...

as long as the State of Israel existed...

its people have been targeted by terrorists...

in the North, in the Center and in the South...

Sderot is no exception...

as long as the leaders of hamas, hizbollah, lebanon, syria and iran exist...

forget about peace...

Épá... Como é que é? Desde que o Estado de Israel existe, dizes tu? Que eu saiba foram os israelitas que foram ocupar a Palestina, que eu saiba foram os israelitas que tiraram aos palestinianos as suas terras. E que eu saiba não são só israelitas que sofrem com o conflito, são também palestinianos. Mas acho que aqui a nacionalidade não interessa, pois os que levam com rockets palestinianos em cima e servem de alvo aos soldados israelitas são principalmente inocentes


... e o escrito por um "anónimo":

I feel for your desire to have peace. Being fired upon from both sides will do that; however, where is the outcry in Gaza for peace. The people in Gaza elected the Hamas and unfortunatly for them; they, got what they asked for. Why don't they complain to the Hamas leaders. If they stop firing rockets at Isreal, the reprisals will stop. If it does not stop, then the world opinion will force it to stop. Were are the leaders in Gaza asking for peace; I don't see any.

Monday, March 31, 2008

Algumas citações (e outros) da OML deste mês

Bem, eu leio todos os meses a revista Os Meus Livros, a única revista sobre livros de periodicidade mensal. Como é óbvio, para a ler assiduamente, acho-a interessante. Como já tenho aqui ao pé de mim a edição de Abril e sei que grande parte (senão todos) os leitores deste blog se interessam pelo mundo das letras, decidi colocar aqui algumas coisas de lá que achasse especialmente interessante.
Eu estava especialmente empolgado para ler a parte das "Breves", que costuma ser muito interessante. No entanto as noticias deste mês não me prenderam como costumam prender, com excepção de uma, que passo a citar:

Oportunidade
Jovens Criadores
Estão abertas as inscrições para o concurso Jovens Criadores 2008. A literatura, como vem sendo hábito, é uma das treze áreas em que é possivel participar. Ao longo dos últios anos, vários foram os nomes que tiveram neste evento uma primeira oportunidade ou uma confirmação do seu trabalho: José Luís Peixoto, José Mário Silva, Rui Manuel Amaral e Margarida Vale de Gato são alguns deles. Os próximos, nunca se sabe, mas vale a pena tentar a sorte. As inscrições estão abertas até ao dia 12 de Maio e os regulamentos podem ser consultados em
http://juventude.gov.pt/portal/Programas

Não é nada fora do normal, mas não é de se colocar de parte após uma primeira observação.
Podem ver o regulamento aqui.


Na revista há tembém um pequeno espaço para citações, frases relaccionadas com livros e com o mundo das letras, ao qual eu não costumo dar especial atenção. Para contrabalançar, este mês tem umas frases muito giras, que passo a citar:

in IrmaoLucia.blogspot.com
12-3-2008
"Jerónimo [de Sousa] disse ontem em entrevista que, «as pessoas não sabem o que hadem fazer à vida». Pois bem, podem começar por comprar um dicionário."

Júlio Magalhães,
in LUSA, 3-3-2008
"Todos escrevemos, quem escreve uma mensagem num telemóvel também pode escrever um livro"

Ana Isabel Pereira,
in Sol, 13-3-2008
"Carolina Salgado chegou com dois seguranças e apresentou-se ao juiz do Tribunal de Gondomar como «escritora»."
OMG... Esta não é interessante, mas tinha de a deixar aqui. Que insulto!!!!


Bem... e ainda não passei da página 10 (de 82), mas fico-me por aqui porque tenho de ir ajustar algumas coisas no "Nas Sombras de Coimbra". Talvez passe para aqui para o blog mais alguma coisa da OML, se achar que vos possa interessar.



CARPE DIEM!!!

Sunday, March 30, 2008

Nas Sombras de Coimbra - Prólogo

Bem, o Luís Filipe Silva propôs à Saída de Emergência a edição de uma antologia em que se recuperasse, um século após o auge, a Pulp Fiction, numa antologia em língua portuguesa. Uma antologia de contos de cinco a dez mil palavras cheios de acção, que sejam originais e, ao mesmo tempo, se mantenham fieis ao género. A Saída de Emergência, seguindo o seu espírito de apoio ao fantástico e de aposta em (novos) autores portuguesas, acedeu e lançou o concurso Pulp Fiction à Portuguesa.
Tenho dois projectos em mãos para este concurso: um com a kath e com o umbrae e outro sozinho. O sozinho chama-se Nas Sombras de Coimbra e, para celebrar a chegada às 2500 palavras (e já que só é proibido já a ter publicado profissionalmente...), decidi postar aqui um bocadinho, para abrir o apetite. Eu vou concorrer com ela mas o mais provável é não ser mesmo seleccionada. Se isso acontecer coloco a obra na integra aqui.
Mas por agora ficam só com o princípio. Agradeço comentários.



NAS SOMBRAS DE COIMBRA

O corredor norte do quinto piso da Faculdade de Letras estava escuro, e silencioso. Inquietantemente silencioso.
Eram apenas 19h30 e ainda estavam aulas a decorrer naquela sexta-feira 13 do primeiro mês de 2006, mas as luzes já estavam apagadas, e os corredores desertos.
Um homem vestido informalmente apareceu repentinamente. Envergava calças de ganga e uma sweatshirt escura com «Death?! Oh, fuck!» escrito em letras góticas. Apesar de usar roupa informal, estaria apresentável não fosse a mancha do sangue que lhe encharcava a camisola e que deixava um rasto sangrento no chão branco-sujo da faculdade.
Ao entrar para o corredor, vindo da ala este da faculdade, deslizou e para mudar de direcção auxiliou-se da parede, apoiando-se nela com o ombro do braço direito. Soltou um grunhido, baixo, que ainda assim ecoou pelos corredores, recomeçando a correr. O braço direito, com um corte até ao osso um pouco acima do cotovelo, balançava grotescamente. No entanto, essa era a menor das preocupações do especialista em Mitos Africanos doutorado em Oxford, de apenas 25 anos.
A sua corrida era, apesar de frenética, silenciosa, o que o ajudou a identificar a sala onde decorriam aulas de Cultura Árabe. Apenas se ouvia o professor.
Ao atingir a porta dessa sala apressou-se a parar a sua corrida e a abrir a porta, entrando para a sala. Deu-se ainda ao luxo de olhar para o fundo do corredor, de onde tinha vindo.
O que viu tornou-lhe a cara mais branca do que já estava. Se esperava escapar-se ao seu perseguidor entrando naquela sala, enganara-se.
Fechou a porta e, como se dessa forma pudesse travar a fúria do ser que o perseguia, empurrou a fria madeira de mogno com as suas costas.
Finalmente, olhou para a turma de cultura árabe que, espantada e assustada, nenhum som emitiu. Os olhos de todas as pessoas naquela sala de aula estavam postos em si e no seu braço que sangrava abundantemente.
“What’s happening?”, conseguiu soltar o professor.
“It’s coming”, respondeu, a sua voz aflita, o seu rosto mais branco que a cal.
“What?”
“The d…”, principiou ele.
Um momento depois, a maciça porta da sala foi perfurada. Assim como o ventre daquele pobre homem.