Sunday, March 30, 2008

Nas Sombras de Coimbra - Prólogo

Bem, o Luís Filipe Silva propôs à Saída de Emergência a edição de uma antologia em que se recuperasse, um século após o auge, a Pulp Fiction, numa antologia em língua portuguesa. Uma antologia de contos de cinco a dez mil palavras cheios de acção, que sejam originais e, ao mesmo tempo, se mantenham fieis ao género. A Saída de Emergência, seguindo o seu espírito de apoio ao fantástico e de aposta em (novos) autores portuguesas, acedeu e lançou o concurso Pulp Fiction à Portuguesa.
Tenho dois projectos em mãos para este concurso: um com a kath e com o umbrae e outro sozinho. O sozinho chama-se Nas Sombras de Coimbra e, para celebrar a chegada às 2500 palavras (e já que só é proibido já a ter publicado profissionalmente...), decidi postar aqui um bocadinho, para abrir o apetite. Eu vou concorrer com ela mas o mais provável é não ser mesmo seleccionada. Se isso acontecer coloco a obra na integra aqui.
Mas por agora ficam só com o princípio. Agradeço comentários.



NAS SOMBRAS DE COIMBRA

O corredor norte do quinto piso da Faculdade de Letras estava escuro, e silencioso. Inquietantemente silencioso.
Eram apenas 19h30 e ainda estavam aulas a decorrer naquela sexta-feira 13 do primeiro mês de 2006, mas as luzes já estavam apagadas, e os corredores desertos.
Um homem vestido informalmente apareceu repentinamente. Envergava calças de ganga e uma sweatshirt escura com «Death?! Oh, fuck!» escrito em letras góticas. Apesar de usar roupa informal, estaria apresentável não fosse a mancha do sangue que lhe encharcava a camisola e que deixava um rasto sangrento no chão branco-sujo da faculdade.
Ao entrar para o corredor, vindo da ala este da faculdade, deslizou e para mudar de direcção auxiliou-se da parede, apoiando-se nela com o ombro do braço direito. Soltou um grunhido, baixo, que ainda assim ecoou pelos corredores, recomeçando a correr. O braço direito, com um corte até ao osso um pouco acima do cotovelo, balançava grotescamente. No entanto, essa era a menor das preocupações do especialista em Mitos Africanos doutorado em Oxford, de apenas 25 anos.
A sua corrida era, apesar de frenética, silenciosa, o que o ajudou a identificar a sala onde decorriam aulas de Cultura Árabe. Apenas se ouvia o professor.
Ao atingir a porta dessa sala apressou-se a parar a sua corrida e a abrir a porta, entrando para a sala. Deu-se ainda ao luxo de olhar para o fundo do corredor, de onde tinha vindo.
O que viu tornou-lhe a cara mais branca do que já estava. Se esperava escapar-se ao seu perseguidor entrando naquela sala, enganara-se.
Fechou a porta e, como se dessa forma pudesse travar a fúria do ser que o perseguia, empurrou a fria madeira de mogno com as suas costas.
Finalmente, olhou para a turma de cultura árabe que, espantada e assustada, nenhum som emitiu. Os olhos de todas as pessoas naquela sala de aula estavam postos em si e no seu braço que sangrava abundantemente.
“What’s happening?”, conseguiu soltar o professor.
“It’s coming”, respondeu, a sua voz aflita, o seu rosto mais branco que a cal.
“What?”
“The d…”, principiou ele.
Um momento depois, a maciça porta da sala foi perfurada. Assim como o ventre daquele pobre homem.

3 comments:

Leto of the Crows said...

Acho que senti "a coisa" a matar-me também... lol

Mas na minha opinião a tua Pulp vai ficar fantástica! (Bem melhor que a minha, diga-se de passagem)

Fico à espera da continuação ^^

Claudia said...

Quando posso ver o resto??? Agora quero saber o resto da historia!!!

Quase estava a espera de ver entrar tambem o Prof Noronha:)

beijinhos

Oriana

Francisco Norega (eragon369) said...

Ainda bem que gostaram ^^

E aqui não pretendo postar muito mais, pelo menos enquanto não receber alguma resposta dos organizadores do PulpFiction. Se ela for positiva (20% de hipóteses), poderão ver o resto do texto em livro; se for negativa (80% de hipóteses), colocarei aqui o resto, provavelmente.

Irei dando notícias ;-)


PS: Não vai entrar o Noronha, mas pode-se dizer que até nem é muito diferente XD