Anarquia

s.f. 1. sistema político baseado na negação de qualquer tipo de autoridade 1.1. bla bla bla (tretas e mais tretas) bla bla bla (e mais tretas) 6. POL teoria política segundo a qual o indivíduo deveria desenvolver-se livremente, emancipado de qualquer tutela governamental (...)

Sunday, February 7, 2010

Vou ser muito rápido

Queria só deixar uma pequena nota à Petição pela Requalificação e Modernização da Infra-Estrutura e pela Introdução de um Sistema Ferroviário de Qualidade na Linha do Oeste, que foi lançada há uns quantos dias.

A mim, digo-vos, dava-me muito jeito que isto fosse para a frente, porque utilizo esta linha com alguma frequência e, digo-vos, o serviço é uma grande porcaria. Mas, na minha humilde opinião, a assinatura desta petição não deve ser sugerida a quem utiliza esta linha.
Na minha opinião, é algo do interesse de todos, pois esta é uma das linhas portuguesas que continua sem electrificação, sendo os comboios que lá passam desconfortáveis, pouco frequentes e estupidamente poluentes. Actualmente, para além destes inimigos do ambiente, a ligar as cidades de Lisboa e Coimbra às cidades do Oeste (Leiria, Caldas, Torres, ...) existem apenas autocarros. Autocarros aos montes, e muitos deles viajando com apenas 4 ou 5 pessoas (falo por experiência própria).
Uma Linha do Oeste reabilitada e electrificada é do interesse de todos pois, para além de substituir os actuais comboios, criaria uma alternativa cómoda e económica (se não através de intercidades, através de um serviço de comboios regionais frequentes, rápidos e directos ligando, pelo menos, Lisboa e Coimbra a Leiria) aos autocarros e às suas emissões estupidamente altas de gases poluentes.

Assinem, por favor.

Saturday, February 6, 2010

The Songs of Freedom

Hoje sinto uma necessidade descomunal de gritar "Liberdade!".

Hoje assinalam-se os 65 anos do nascimento do Bob Marley, uma das pessoas que mais fez pela liberdade, através da música e da sua forma de viver e fazer viver a vida. Um homem livre - um exemplo de vida e uma fonte de inspiração para aqueles que, ainda hoje, se debatem pela sua liberdade. Um grande viva! ao Bob Marley.

[À Liberdade, uma primeira música.]


Dei conta desta efeméride há pouco, há um par de horas, e não pude deixar de achar curioso pois, há três dias, os estudantes de todo o país saíram à rua, reivindicando um Ensino Público justo e acessível para todos. Eu fiz greve, e participei nas manifestações, gritando palavras de ordem e exigindo condições decentes.
Mas penso que não ansiamos só por preços mais acessíveis nas papelarias e bares das escolas, pelo fim dos exames nacionais, por condições nas escolas para a realização das aulas, pela implementação transversal da educação sexual. Alguns de nós anseiam por mais que isso - por uma mudança na ordem das coisas, por um mundo mais justo e mais... livre. Ansiamos por uma liberdade mais... real.

Deu-me um enorme prazer cantar a Grândola Vila Morena e ouvir uma sentida Hasta Siempre Comandante, com um grupo de estudantes que nunca antes tinha visto, mas no seio do qual dentro de poucos momentos todos pareciam já amigos de longa data. Senti-me completo, como já há muito não me sentia.


[À Liberdade, uma segunda música.]




[À Liberdade, uma terceira música.]




VIVA A LIBERDADE!



PS: Sobre a manif, publiquei um artigo no site da Distrital de Coimbra do Bloco. Para ler aqui.

Sunday, January 10, 2010

Desejos para 2010

Eu como não sou um gajo ambicioso, não pedi nada para 2010. Vou continuar a fazer aquilo que acho correcto, a lutar pelos meus ideais e a defender a minha maneira de pensar e a minha forma de viver a vida. O resto, logo se vê.

Mas já que estamos aqui, gostava de vos deixar a mensagem que o fabuloso Neil Gaiman escreveu em 2001 e relembrou no final deste ano, no blog dele:

May your coming year be filled with magic and dreams and good madness. I hope you read some fine books and kiss someone who thinks you're wonderful, and don't forget to make some art -- write or draw or build or sing or live as only you can. And I hope, somewhere in the next year, you surprise yourself.

E, acima de tudo, sejam felizes.

Saturday, December 26, 2009

O Natal

Não é que eu tenha alguma coisa contra, não, até porque cada um faz dos dias aquilo que muito bem lhe apetecer, mas eu não festejo o Natal. Para mim é apenas mais um dia, tal e qual os outros – sem árvore, sem presépio, sem nada. Recebi um casaco, um livro e uns filmes, mas isso também vou recebendo ao longo do ano.
Porquê festejar Jesus Cristo no dia do seu nascimento (que já nem se tem a certeza que seja mesmo dia 25 de Dezembro, mas isso é outra história)? Porque não festejá-lo todos os dias, enchendo a nossa vida de tolerância, de fraternidade e partilha com o próximo, de paz. Qual o sentido de nos acharmos muito católicos por festejarmos o Natal e a Páscoa, quando o resto do ano deixamos que as nossas vidas sejam regidas pelo ódio, pela ganância e pela guerra.
Eu cá prefiro festejar a nossa existência, festejar a natureza. E toma um sentido especial para mim festejá-la no solstício de inverno, festejando também o início de um novo ciclo, uma data celebrada desde tempos imemoriais pelos mais diversos povos. Sinto que é algo menos artificial do que o Natal - mais primordial, mais mágico. Este ano passei-o com os amigos e com a família. Foi um dia especialmente bem passado.

E quanto ao Natal ser um pretexto para juntar a família, talvez fosse melhor deixarmos todos de passar a vida a correr, e começar a partilhar cada momento da nossa existência com as pessoas de quem realmente gostamos – a nossa família e os nossos amigos.

Vivamos a vida, em vez de ficarmos imóveis a vê-la passar.
Carpe Diem!

Sunday, December 13, 2009

Vigília por Aminetu Haidar

Em greve de fome há 24 dias num parque de estacionamento do aeroporto de Lanzarote, Aminetu Haidar continua a morrer aos poucos. O governo espanhol não se limita ao silêncio e comporta-se como autêntico delegado diligente da ditadura marroquina. Do resto da Europa, governo português incluído (o partido que o sustenta nem a favor de um voto de solidariedade conseguiu estar), o silêncio cobarde. O Sara luta pelo mesmo que Timor lutou. A história é aliás quase igual. Mas os negócios falam mais alto. Aminetu Haidar, prémio Sakarov entre tantos outros, pode morrer a qualquer momento. Em solo europeu. Perante o silêncio cobarde de todos. Apenas porque não deixam regressar ao seu país, à sua casa, aos seus filhos. Apenas porque os mesmos que a elogiam e a premeiam são incapazes de aprender alguma coisa com o seu exemplo: o da dignidade e da coragem.
Quando Marrocos fez saber que ela só poderá regressar se pedir desculpas ao rei Mohammed VI, o seu filho mais novo, de 13 anos, disse: “A minha mãe nunca vai voltar a casa porque nunca vai pedir perdão ao rei.” Não por frieza, mas pela coragem de uma combatente, Aminetu mediu todas as palavras: “podem viver sem mãe, mas não sem dignidade”. Por mim, ao ver esta mulher firme e de paz morrer na Europa que se diz da liberdade sinto uma vergonha sem fim. E um desprezo enorme pelos cobardes que nos governam. Tivessem os nossos líderes um pingo do que tem Aminetu e estaríamos muito melhor servidos.


recebido por e-mail
(autor desconhecido)


Vai ter lugar amanhã, dia 14 de Dezembro das 18h30 às 20h30, uma Vigília de Solidariedade com Aminetu Haidar, na Praça da República, em Coimbra. Marcarei presença. Por um mundo mais justo. Por um mundo de efectiva liberdade.


[Página da Vigília no Facebook.]

Thursday, November 26, 2009

Literaturas Imaginárias

Foi acabado de divulgar o programa oficial do próximo sábado (dia 28) das Conversas Imaginárias, este virado para a literatura e BD.

Aqui fica ele:


28 de Novembro
(auditório da BMOR)

(no átrio, durante o evento) Feira do Livro Fantástico; com o apoio Dr. Kartoon.

15:00-16:00 –Auto-edição em Portugal: oportunidades e problemas.
Com Pedro Ventura (moderação), Paulo Fonseca, Rafael Loureiro.

16:00-16:30 – Conselhos de leituras fantásticas.
Com João Barreiros, Nuno Fonseca, Cristina Alves.

16:30-17:00 – Intervalo.

17:00-18:00 – Novidades e Projectos de Banda-Desenhada.
Com João Lameiras (moderação), Ricardo Venâncio, Rui Ramos, David Soares, Filipe Melo.

18:00-19:00 – Novas Aventuras do Fantástico Português.
Com Rogério Ribeiro (moderação), Telmo Marçal, Fábio Ventura, Bruno Martins, Ana Vicente Ferreira.

20:00 – Tertúlia Noite Fantástica.
(Jantar, no restaurante Chili's - inscrições no tertulianoitefantastica@gmail.com).


Espero ver-vos por lá! Um abraço!

Extrapolação Nortenha

Nasceu, há pouco tempo, a Associação Extrapolar, com casa aqui.

É uma associação de cariz cultural que pretende dinamizar o espaço cultural do Grande Porto. Dêem uma olhadela ao seu manifesto. ;)

Estes projectos nunca são a mais, desde que sejam para andar para a frente. E este é.
Eu terei todo o gosto em embarcar com o Carlos Vinagre e todos os Extrapolantes neste projecto. E quem também o quiser fazer será muito bem-vindo.

Sunday, November 15, 2009

Musicalbi

Fui ontem à apresentação do álbum "Mastiço", dos Musicalbi, na Fnac Coimbra.

Cheguei mesmo a tempo, a meio da primeira música. Pela descrição no site da fnac, esperava algo na senda de Dazkarieh, mas não foi o que encontrei. As dúvidas que se apoderaram de mim desvaneceram-se ao fim de alguns minutos, e rapidamente comecei a vibrar ao som da música.
Efectivamente, não é nada do género de Dazkarieh que se encontra num concerto dos Musicalbi - ambos partem de uma pesquisa séria e profunda no campo da música tradicional mas, enquanto os Dazkarieh refazem as músicas tradicionais num estilo mais pesado, roqueiro, a sonoridade dos Musicalbi é mais suave, talvez mais próxima dos originais.

Existem desde 1983 e já lançaram 4 discos. Actualmente, a formação é composta por Carlos Salvado (Voz, Bandolim, Guitarra, Cavaquinho, Bouzuki, Flautas), Filipa Melo (Voz), Horácio Pio (Baixo, Acordeão, coros), Maria Côrte (Violino, Harpa Celta, Gaita de Foles), António Pedro (Piano, percussões, coros) e António Lourinho (Bateria). Esta miríade de instrumentos possibilita uma enorme variedade de sonoridades de música para música, todas elas absolutamente agradáveis.

Os desejos do melhor sucesso para eles, merecem!


Musicalbi.pt
Musicalbi on MySpace

Tuesday, November 3, 2009

Novembro, Escrita e Imaginação

Novembro tem-se afirmado cada vez mais como o mês da escrita por excelência, através do National Novel Writing Month (NaNoWriMo). Eu vou participar, não com o objectivo de escrever as 50 000 palavras até dia trinta, mas com o objectivo de iniciar e terminar o projecto que tenho andado a magicar para participar neste desafio. Vai ser um mês (quase) exclusivamente dedicado a este projecto, por isso vou estar (mais) ausente do blog.


De qualquer forma, na senda dos últimos posts sobre o Fantástico, gostaria de fazer referência a duas ou três coisas.

Antes de mais, às Conversas Imaginárias, que já têm cartaz :)
Vai decorrer nos sábados 21 e 28 de Novembro na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro e, mesmo não tendo o programa oficial ainda sido divulgado, há já alguns nomes confirmados - Pedro Ventura, Telmo Marçal, João Barreiros e David Soares, entre outros, na parte da literatura e BD, e António de Macedo e Rui Ramos, entre outros, na parte da concept art e cinema.
"Como prelúdio das Conversas Imaginárias", como acabado de anunciar no blog oficial, vai estar patente na Biblioteca uma exposição intitulada "Há Conversas com o IMAGINarte", de 9 a 28 deste mês.

Relativamente ao debate "Com Todas as Letras", que contou com o Pedro Reisinho (da Gailivro), o Luis Corte-Real (da Saída de Emergência) e o Pedro Marques (da Livros de Areia), bem como com o David Soares e o João Seixas, acho que vale a pena ler o texto publicado no blog da Livros de Areia.


Falando de livros, vai sair no Brasil a antologia Imaginários, de dois volumes, com participação não só de autores brasileiros mas também de nossos conterrâneos - Luís Filipe Silva, João Barreiros e Jorge Candeias. Para adquirir, com certeza.

Já deste lado do atlântico, foi lançada muito recentemente a antologia Talentos Fantásticos, pela edita-me. Envolta em muita polémica desde que a editora anunciou estar aberta a submissões para publicação de uma antologia, e ainda que não conheça os organizadores pelo que não posso afirmar nada com toda a certeza, tenho ficado cada vez mais convencido de que estes não agiram de boa-fé.
Vejamos, as participações (na categoria conto) tinham um limite máximo de 6 páginas. Porquê? Apostar na quantidade, afirmou a edita-me. Pergunto-me se será apenas para dar oportunidade a novos autores ou se será para terem um número de potenciais compradores maior. Não tenho uma resposta concreta, até porque não estou dentro da cabeça de quem organizou a antologia, mas inclinar-me-ia para a segunda hipótese. Mas passemos à frente.
Os autores dos contos, poemas e ilustrações não recebem direitos de autor nenhuns (o que é compreensível, pois daria uma quantia irrisória a cada um dos quase 100 participantes). Não recebem também nem sequer um exemplar cada um. Pronto, vamos esquecer isto, pois 100 exemplares era muita coisa. Mas vá, um desconto generoso aos autores, poetas e artistas que participam na antologia. 40%, 50%? Não? Não, uns irrisórios 10% de desconto aplicado nos 20€ que custa o livro de 350 páginas.
Sinceramente, cheira-me a um método sujo de fazer dinheiro. A maior parte dos autores estão a ser publicados pela primeira vez, pelo que vão querer comprar um exemplar, com certeza. Eles e, talvez, uns quantos familiares e amigos. Consideremos 80 como o número de participantes, e suponhamos que cada um, bem como um familiar seu, compra um exemplar. São 160 exemplares vendidos à partida - 2880€. Não estou dentro do mercado edição, mas parece-me que é um valor que cobrirá os custos de impressão, que, posto tudo isto, são todos os custos que a editora teve. O resto enche os bolsos de alguém.

O mesmo me parece que acontece com a editora Andross e as suas antologias, que referi no final deste post. Os autores, ao participarem na antologia, comprometem-se em vender 20 exemplares desta. Sendo os limites de palavras muitíssimo reduzidos, temos um mínimo de 40 participantes para cada antologia, o que significa 800 exemplares vendidos à partida.
Sim, o autor tem várias vantagens - tem logo um número de leitores potenciais muito elevado e, para além disso, ao vender os seus 2o livros (que pode adquirir com um desconto elevado - quase 50%), pode ainda ganhar dinheiro.

A mim, esta forma de publicação, que se está a tornar cada vez mais comum, parece-me muito pouco ética, por muito apetecível que possa parecer para um autor em início de carreira.


PS: O site da Saída de Emergência mudou de visual. Vale a pena dar uma espreitadela ;-)

Wednesday, October 28, 2009

Serenata da Latada 2009

Não foi excelente, não, mas foi o suficiente para me fazer querer ver a do próximo ano (que espero que decorra com menos percalços).

Começou com um ruidoso problema de som que ameaçou arruinar a Serenata. Por momentos, ouviram-se uns lastimáveis apupos. Mas os estudantes acreditaram e ficaram, e finalmente voltou-se a ouvir o fado, fazendo-se jus ao É Preciso Acreditar.

Outro problema é o barulho que os estudantes fazem. Não digo que seja culpa deles, a maior parte das vezes inclino-me mais para culpar o álcool, mas há pessoas que vão para lá para ouvir a Serenata, e não as conversas dos outros.

Para o ano, lá estarei. Espero eu.
Neste ano valeu-se-me a companhia.

Monday, October 26, 2009

Gripe A, porreiro pá!

Depois de ter ouvido boatos de que da vacina contra a Gripe suína podem advir efeitos secundários que poderão levar mesmo à morte, a recusa de um grande número de médicos e governantes a tomá-las apenas traz apenas veio reforçar a ideia que já desde há algum tempo se ia formando na minha cabeça.

É caso para dizer, não se morre da doença, morre-se da cura!
Eu cá prefiro morrer da doença, o que, sejamos coerentes, seria extremamente improvável, para um jovem da minha idade e não tão frágil assim.


[Já agora, os parabéns ao meu conterrâneo Boaventura de Sousa Santos, condecorado pelo Governo Brasileiro com a Gran-Cruz da Ordem do Mérito Cultural de 2009.

Por último, e por coincidência, uma ligação para um texto escrito, precisamente, por Boaventura de Sousa Santos - O Hipnotizador.]

Sunday, October 18, 2009

Ainda o Rebuliço

Parece que a agitação que se tem verificado nas águas do Fantástico não é tão passageira como se poderia à primeira vista temer.

Este último semestre de 2009 tem já uma agenda fantástica muito preenchida, com O Fantástico em debate já no próximo dia 27 de Outubro, no auditório Maestro Frederico de Freitas em Lisboa.

Mas ainda antes disso, vai-se realizar a primeira de uma série de Tertúlias organizadas pela Simetria - Associação Portuguesa de Ficção Científica e Fantástico, no IST-Taguspark, na sala 0.32. Realiza-se já nesta segunda-feira às 19h00 e tem como título "Os Direitos das Inteligências Artificiais". Para além desta, realizar-se-ão ainda este ano outras duas, no mesmo sítio e à mesma hora, nos dias 16 de Novembro e 14 de Dezembro.
Ainda fruto do acordo celebrado entre a Simetria e o Instituto Superior Técnico, vai-se realizar uma feira de livros usados de FC&F, no campus do IST-Taguspark de 14 a 16 de Dezembro de 2009. [Segundo o blog oficial da Simetria, "A Feira do Livro ainda carece de uma autorização final para a sua realização", que esperam obter brevemente.]

E por esta altura deveria estar para acontecer o já clássico Fórum Fantástico, mas foi anunciado o interregno deste evento que, por razões já explicadas aqui, voltará apenas em 2010. Mas o Rogério Ribeiro, um dos nomes a quem mais o Fantástico luso como o conhecemos hoje deve, já meteu mãos às obras e garante-nos que não nos vai deixar desocupados - nos sábados 21 e 28 o Conversas Imaginárias, um conjunto de apresentações e debates, tomará lugar na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro. O Rogério promete-nos um evento inteiramente virado para participantes nacionais, com um dos sábados dedicado ao cinema e à concept art, e o outro à literatura e banda desenhada.


Mas como sem produção não há mercado, passemos então a novos desafios e concursos, que também surgiram nesta última semana.

Pela Saída de Emergência, foram finalmente abertas as submissões ao Almanaque do Dr. Thackery T. Lambshead para Doenças Excêntricas e Desacreditadas. Há muito que este tinha sido anunciado no site, mas apenas agora foi divulgado o regulamento do desafio. A editora, aproveitando a tradução para português da obra The Thackery T. Lambshead Pocket Guide to Eccentric & Discredited Diseases, onde podemos encontrar contribuições de autores como Neil Gaiman e Michael Moorcock, China Miéville e Alan Moore, lançou "o apelo a todos os médicos literatos de língua portuguesa para que submetam os casos mais excêntricos com que tenham tido que lidar na sua prática do dia-a-dia, por muito desacreditados que a medicina tradicional os tenha decretado", que figurarão no Almanaque junto de tão prestigiados autores. As submissões devem pautar-se, como é óbvio, "para além da maior competência clínica", por uma "irrepreensível utilização da língua portuguesa ao serviço de uma imaginação transbordante, original e satírica".

Não menos importante, ainda que acessível apenas a alunos, docentes e funcionários não docentes do Instituto Superior Técnico, é o Concurso Mini-Contos IST lançado pela Simetria, aberto a submissões com não mais de 150 palavras até dia 30 de Novembro.


Para terminar, referir a Colecção Мир, que será lançada pela Antagonista Editora já no primeiro trimestre de 2010.
Ficaremos todos de olho nesta nova colecção de Ficção Científica e Terror Fantástico.

;)

Monday, October 12, 2009

Dois ou três títulos e um Rebuliço

Nos últimos tempos temos tido uma forte movimentação nas águas do mercado português de literatura fantástica. E, tendo em conta as fortes reticências com que os leitores e editores recebem e publicam ficção curta, é com agrado que vejo diversas antologias e revistas a serem publicadas num tão curto espaço de tempo.

A Saída de Emergência preencheu, em Julho, um espaço do mercado de Ficção Cientifica em português que há muito urgia ser preenchido, publicando Com a Cabeça na Lua, uma antologia que recolhe diversos contos de autores como Heinlein, C. Clarke e Asimov, que escreveram sobre uma, na altura ainda hipotética, viagem à lua, e que traz ao público português dez exemplos da ficção cientifica "hard" da Golden Age. E agora, volvidos três meses sobre esta publicação, a SdE prepara-se para publicar uma colectânea de contos de Arthur Machen, "um dos homens mais importantes do início do século em escrita fantástica e no terror", intitulada, precisamente, de O Terror.
Também graças à Saída de Emergência, pudemos ler, no fim do semestre passado, na Bang! nº 6, diversos contos e artigos da autoria tanto de autores portugueses como de estrangeiros.
Passados uns meses, já depois da dissolução do fanzine Nova [RIP ='( ], Roberto Mendes e Rita Comércio quebraram o monopólio da Bang!, lançando o primeiro número da revista Dagon. Um formato algo diferente daquele a que temos sido habituados, mais próximo do público na medida em que não se limita aos habituais nomes do chamado fandom (atenção, emprego este termo sem qualquer preconceito), e mais abrangente, não se limitando apenas à literatura fantástica, mas estendendo-se às manifestações do Fantástico na música, no cinema e nas artes plásticas.
Mas também a Gailivro, que está igualmente de parabéns pelo trabalho que tem feito no meio, surpreendeu, publicando ficção curta. E mais, ficção curta portuguesa - As Atribulações de Jacques Bonhomme é o título da colectânea da autoria de Telmo Marçal, na minha opinião um dos nomes mais geniais da ficção cientifica lusa. E aqui gostava de fazer um pequeno aparte.

Enquanto Telmo Marçal é um nome desconhecido para a maioria dos fãs portugueses de fantástico, é, para mim, um dos nomes (a par de Luís Filipe Silva e Jorge Candeias, entre outros) que primeiro me vem à cabeça quando se fala de ficção científica portuguesa. Tomei o primeiro contacto com a sua escrita quando li a fantástica antologia Por Universos Nunca Dantes Navegados, e rendi-me automaticamente. "O Pico de Hubert", para além de ser uma história passada numa distopia caótica, bem imaginada, com um enredo soberbamente orquestrado, é-nos nos dada a ler através da escrita de Telmo Marçal, sem dúvida dotado de uma grande mestria nesta arte.
Mais tarde, dei com alguns contos da sua autoria nos números 2 e 3 do Hyperdrivezine, que podem ser lidos aqui [foi o Ricardo Loureiro (também editor da recém-extinta Nova), um dos melhores editores de revistas que temos por terras lusas, na minha opinião, que o publicou pela primeira vez, ainda no formato website deste Hyperdrivezine], e no nº 5 da Bang!, que apenas fizeram reforçar a minha excelente opinião sobre o autor. Rapidamente se tornou, portanto, um nome a seguir com atenção.
No entanto, nos últimos tempos, nunca mais tinha ouvido falar dele. Foi, então, com alguma surpresa e muito agrado, que me deparei com esta colectânea. Finalmente em papel, depois de passar pelo Hyperdrive, "o Dragão Quântico, o Hyperdrivezine, o sítio Neolivros, a Scarium, o Tecnofantasia, o Phantastes, o Somnium[,] (...) a Nova" e, "até[,] (...) a antologia Por Universos Nunca Dantes Navegados".
Ainda não li As Atribulações de Jasques Bonhomme, mas estou muitíssimo curioso. Valerá a pena a leitura, sem qualquer dúvida.
[Crítica de Rui Baptista ao livro do Telmo Marçal no Bela Lugosi is Dead.]

Mas voltando ao tema inicial do post, não só antologias, colectâneas e revistas têm dado movimento às águas outrora um tanto estagnadas do Fantástico português. Também inúmeros concursos têm surgido, aqui e ali, para escritores de ficção científica a steampunk, de fantasia a horror, sejam eles já consagrados ou estejam ainda a dar os primeiros passos.
Gostaria de começar por fazer referência à Antologia Vaporpunk, para a qual foi feita a última chamada na semana passada, no Efeitos Secundários. Prazo de submissão a acabar já dia 18.
Por outro lado, mas também no seguimento de um texto publicado por Luís Filipe Silva no seu blog, Roberto Mendes lançou no Correio do Fantástico um desafio que, idealmente, culminará numa antologia em que versarão sobre "a conquista do espaço, a colonização de outros planetas, (...) que tipo de humanos farão a conquista (ou se esta falhará) e, principalmente, utilizando como personagens centrais os portugueses desse tempo: serão portugueses conquistadores ou falhados?". Para ler aqui.
Mas também do outro lado do atlântico surgem projectos interessantes. Informa-me o Márcio: Até 15 de janeiro de 2010, a Andross editora estará selecionando contos para a coletânea Tratado Secreto de Magia, a ser lançada em abril de 2010 na Biblioteca de Literatura Fantástica Viriato Correa, em São Paulo. Nosso objetivo é receber contos relacionados não só com a magia, mas também feitiçaria e bruxaria, desde histórias que remetam à realidade histórica, como a Inquisição, até tramas que sejam ligadas à fantasia, no estilo Harry Potter. Este Tratado Secreto de Magia é apenas uma das antologias que a editora Andross está a organizar de momento. Moedas Para o Barqueiro será uma antologia de contos que terão como temática a Morte, e os textos poderão ser submetidos até 30 de Janeiro de 2010. 2054, como o próprio nome faz antever, será constituída por contos de ficção científica, enquanto que Histórias Liliputianas será uma colectânea de 50 microcontos sem nenhum tema padrão - os prazos para submissão são, respectivamente, 30 de Novembro e 15 de Janeiro. E, agora fugindo um bocadinho ao tema do post porque sei que interessará a alguns leitores do blog, a Andross está também a organizar um antologia de poesia intitulada Ecos da Alma. [Para mais informações e contacto dos organizadores, consultar a página de cada antologia.]
Por fim, apenas uma última referência à Antagonista Editora, que está à procura de autores lusófonos, não só de Portugal, do Brasil e de África, mas também de Goa, Macau e mesmo da Galiza.

Wednesday, October 7, 2009

O Pesadelo Financeiro Americano

O fim da abundância
Pelos padrões americanos, a nossa família está a passar por necessidades financeiras. No rescaldo da crise económica, o meu marido perdeu o emprego e agora ganha menos de metade do que ganhava. Com um filho no jardim-escola e um recém nascido para criar, temos vivido sob grande pressão. Depois de fazermos as contas, decidimos que eu ficaria em casa, sacrificando assim o nosso seguro de saúde. Os miúdos têm Medicaid. Passamos agora sem tantas coisas que antes tomávamos por garantidas. Temos reduzido as despesas sempre que possível. Se o meu marido não tivesse recebido uma assinatura vitalícia da vossa revista quando era criança, não a teríamos. Começámos, com relutância, a aceitar a ajuda governamental para alimentar a nossa família. Faremos o que for preciso para não perdermos a casa. Esta manhã estava absorta em autocomiseração e a queixar-me sobre o estado das nossas finanças. Fui lá acima amamentar o bebé.
Quando me instalei com o meu filho nos braços, olhei para a fotografia das páginas 50-51 e vi um bebé a morrer de fome na Etiópia. Os meus olhos encheram-se de lágrimas de vergonha. Enquanto observava aquele rapazinho escanzelado, não pude deixar de compará-lo com o bebé rechonchudo que tinha ao colo. Aquele menino não é menos acarinhado do que o meu filho. Aposto que, se a mãe dele fosse subitamente atirada para a minha vida, não saberia o que fazer com tanta sorte. Não teria tempo para se queixar. Estaria demasiado ocupada a cozinhar os feijões e o arroz que eu desdenhei, plantando legumes no quintal e alimentando o filho.
brigada por nos lembrarem que o modo de vida americano não é o padrão mundial.

Comentário de Melisande Timblin (Carolina do Norte, EUA)
na National Geographic nº 103