Monday, May 26, 2008

A Feira do Livro de Lisboa e a LeYa (Luís Graça)

Mais vale nem começar a falar sobre o que acho da absurda situação deste ano, mas não podia deixar de citar aqui o comentário de Luís Graça no Blogtailors. Simplesmente fantástico.

«Mudar só por mudar não leva a muito.
Vale mais deixar o que está bem do que mudar para inovar e conseguir "inventar" novos problemas.

No primeiro dia da Feira do Livro houve cinco ou seis pessoas que tropeçaram nos stands da Leya.
Entre os quais eu.

Como existe um espaço entre a rampa e o estrado, não é nada difícil bater com o pé no estrado e sair de cabeça direito aos livros. Não é a minha forma favorita de mergulhar na literatura.

Com o pagamento centralizado, obriga-se o comprador a fazer um sobe-e-desce. Esclareceram-me que podemos andar com os livros na mão de um stand para o outro e só no final nos temos de dirigir à caixa de pagamento (são seis).

Ora, como esta se situa num topo, fácil será de concluir que será obrigatório um sobe-e-desce, dê lá por onde der. Se a pessoa começar a comprar nos stands de baixo, terá sempre de subir para pagar. Se quiser continuar a descer a feira já efectuou três percursos (duas descidas e uma subida).


Como a zona de pagamento tem pouco espaço, será fácil concluir que as pessoas terão de ficar à chuva ou ao sol enquanto não conseguem pagar. Mesmo com seis caixas. Será muito fácil quando houver pouca gente. Mais complicado aos fins-de-semana. Ou seja, as seis caixas não evitarão as "molhadas".

Quanto às meninas, são giras e simpáticas. E gostam de pipocas e de banda desenhada. Só debati o tema do "Manga" entre a juventude. Não falei de pipocas.

E como é que se carregam os livros de um lado para o outro?

Mais: o comprador-que-ainda-não-comprou-o-livro estará sempre "debaixo de olho". Quem ajuiza da boa fé das pessoas?
Se uma pessoa encontrar um amigo e se distrair, pode muito bem sair da zona da Leya e passar por ladrão.

Também não vejo grande vantagem nos equipamentos todos iguais, com pólo vermelho com o símbolo da Leya. O que interessa ao comprador é identificar a editora. Se em todo o lado têm o pólo da Leya, falta informação ao comprador.

Para mais quando o pólo vermelho não é capaz de nos dar uma informação tão simples quanto esta:
"Este livro vai ficar em livro do dia?".

Aconteceu-me logo no primeiro dia. Independentemente da simpatia e da educação das "camisetas rojas", não me conseguiram dar uma informação tão simples quanto esta. Nem sabiam quem a podia dar.

Também ainda não estava disponível uma calendarização das sessões de autógrafos.

(E o site da Feira do Livro não está actualizado. Por exemplo, é anunciada --- na sua editora, na zona dos autógrafos, através de cartaz --- uma sessão de Vasco da Graça Moura para as 18 horas de domingo, 25. No site da Feira do Livro ainda não constava essa informação)

Resumindo e concluindo: a mudança dos stands não evita uma série de problemas.
Esteticamente, não me choca nada. Mas também não adianta nada.

E o espaço disponível em cada stand é muito reduzido. Quando houver muitos visitantes, uns terão de esperar para subir, outros de esperar para descer a rampa. O que não acontece num restaurante da minha zona chamado "A rampa". E muitas mãos haverá por cima dos ombros, para chegar aos livros. Espaço para abrir um álbum de BD é coisa que não existe em abundância.
Prevejo, mais do que chuva, muito choque de costas com costas.
Mas pode ser que as colisões involuntárias ainda dêem em algum casamento feliz.

"Lembras-te, querido? Conhecemo-nos na Feira do Livro de Lisboa. Tu estavas a ler um álbum do Astérix e deste-me um encontrão. Eu tinha acabado de tropeçar à entrada do stand e tinha estragado uma sandálias de marca, acabadinhas de comprar no Corte Inglés. Quem diria que havíamos de ser tão felizes?".

Mas pode ser que eu tenha mau feitio e seja um bota-de-elástico avesso à mudança.
»


Resumindo: a LeYa faz uma fita do caraças (só por se achar melhor que os outros - que não é, nem mesmo em termos económicos, pelo menos no que toca à Bertelsmann), põe em risco a realização da Feira do Livro de Lisboa, atrasa a data de início da Feira, e no final de contas apresenta-se com estes caixotes da treta. Não valia mais ter ficado quieta?


PS: Não vou apelar a boicote nenhum, pois acho que cada um faz aquilo que a sua consciência dita, mas a LeYa que não espere que eu meta os pés na "pracinha chique" deles (isto é, se eu conseguir sequer pôr os pés na feira lol). Sou contra senhores [leya-se Paes do Amaral e afins] que gostam de fazer birrinhas por tudo e por nada, isto é, por um "negócio" que, por acaso, tratam como se do negócio do calçado se tratasse.
Enfim... Acho que já falei mais do que devia xD



Já agora, alguns posts para ler:
- O Mercado Editorial Português, no BlogTailors
- Caixotim e a Feira do Livro, também no BlogTailors

8 comments:

Silent Raven said...

Olá!

Vi a tua resposta no correio do fan´tástico e achei por bem usar a resposta como meio para visitar o teu blog (de que gostei). Os meus livros podem ser encontrados em algumas livrarias da zona do Porto, no site da corpos editora... ou então podes contactar-me (carianmoonlight@gmail.com) e adquiri-los directamente comigo (devidamente assinados).

Beijinho e até breve...

Carla Ribeiro (Silent Raven)

Leto of the Crows said...

Ai ai ai!

Não sabes que fazer birra é feio? O senhor Luís Graça pode ter a sua razão, mas sempre lá entrou =P

O facto é que o comportamento da Leya pode não ter sido dos melhores, mas a maioria dos trabalhadores não tem culpa das decisões dos superiores. Não os vamos prejudicar por causa dos "Grandes". Pelo menos eu não quero pôr ninguém no desemprego ^^

E vê se não te deixas coagir pelos perconceitos, porque é isso que dá cabo do mundo ò.ó

Francisco Norega said...

leto,

Não vai ser a minha (ou a tua) atitude que vai pôr alguém no desemprego. Os gajos da LeYa, esses, já o estão a fazer (ouvi falar em cortes no pessoal superiores a 40% na Nova Gaia - e imagina como estará a ser nas editoras Asa, Booket, Caderno, Caminho, Dom Quixote, Gailivro, Livros d'Hoje, Lua de Papel, Oceanos, Texto e Universal - já para não mencionar o recém-adquirido Grupo Oficina do Livro). Não é por acaso que o Manuel Alberto Valente já saiu da ASA, depois de 18 anos na sua direcção, e o João Aguiar o seguiu.
A opinião pública para eles não vale nada e se eu quero atingir o Paes e outros que tais tem de ser através do "pilim". Parece que é a única coisa que importa, para eles.


silent raven,

Obrigado pela visita. E ainda bem que gostaste do blog ^^
Quanto aos livros, não estarão disponíveis nas feiras do livro? E no ForumFantástico (http://forumfantastico.wordpress.com/)? (É que esta talvez não seja a melhor altura xD Daqui a uns mesitos deve ser mais fácil)

Francisco Norega said...

Já agora, leiam isto:

http://blogtailors.blogspot.com/2008/05/o-mercado-editorial-portugus-por-luis.html

Silent Raven said...

Olá outra vez...
Penso que não... A minha editora não costuma participar muito nessas coisas (pelo menos que eu saiba). De qualquer das formas, vai mantendo o contacto... Quando estiveres numa melhor altura, combinamos isso!

Aproveito para te convidar a uma visita ao meu blog... http://valedassombras.blogspot.com

Abraço...
Carla

Francisco Norega said...

Já tinha visitado =P E confesso que poesia não é comigo (tanto leitura como escrita), por isso só adicionei aos favoritos o teu site ;-)

Rui Baptista said...

Felizmente a Leya não se deu ao trabalho de vir à feira do Porto. disse, segundo me constou, que não valia a pena.
Se calhar por cá ninguém compra os livros deles... ou talvez temessem fazer má figura...

Tiago. said...

Vê lá, eu até gostei dos stands da LeYa.

Tiago.